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ONG Litro de Luz leva energia elétrica em comunidades da amazôni

ONG Litro de Luz leva energia elétrica em comunidades da amazôni

A “Litro de Luz”, organização não-governamental internacional que atua em 21 países, vem desenvolvendo um lindo projeto de inovação social com objetivo de levar iluminação para comunidades carentes que, seja por não ter acesso ou por não ter condições de pagar, vivem sem luz em suas casas, com isto a Litro de Luz vem, por meio de soluções sustentáveis, melhorando a qualidade de vida destas comunidades, possibilitando sua integração social.

Criada pelo mecânico brasileiro Alfredo Moser, em 2002, durante um apagão, a inovação foi adotada pelo filipino Illac Diaz, criador da My Shelter Foundation - que promove projetos sustentáveis de baixo-custo - que viu na solução criada por Moser, uma oportunidade para ajudar as famílias carentes em seu país, criando o projeto "Um Litro de Luz", em 2012, que devido ao sucesso do projeto, se transformou em uma ONG com maior crescimento no mundo no ramo de energia solar, com objetivo de iluminar comunidades que carecem de energia elétrica e falta de iluminação pública.

Em um intercâmbio para Naióbi, no Quênia, Vitor Belota Gomes, percebeu que a energia elétrica ainda era rara nas casas e escolas e, procurando soluções de baixo custo, encontrou o movimento global Liter of Light, projeto que utiliza garrafas pet para reproduzir suas lâmpadas, a solução para este problema. Ao voltar do intercâmbio, Vitor sentiu a necessidade de disseminar a técnica aprendida no projeto e, em 2013, fundou o Litro de Luz, representante oficial do movimento no Brasil.

O principal diferencial da organização está no empoderamento dos moradores e jovens voluntários, capacitando-os e oferecendo treinamento, estes por sua vez, trabalham para gerar a mudança dentro da sua própria comunidade, mantendo e replicando as fontes de luz. Hoje, a Litro de Luz utiliza quatro tipos de soluções ecológicas e economicamente sustentáveis para combater a falta de iluminação, sendo que para cada uma, há um emprego diferente: 

Lâmpada diurna e lâmpada noturna.

Lâmpada Diurna: Modelo mais comum e de mais fácil acesso, foi criada no Brasil, em 2002, pelo mecânico Alfredo Moser. Composta por uma garrafa de plástico preenchida com uma solução de água e cloro, é colocada em pequenos buracos nos telhados nas casas, de simples instalação e impacto imediato, a luz do sol incide pelo topo da garrafa e pelo efeito de refração se espalha por todo ambiente, o que equivale a potência de uma lâmpada de 55 watts, estima-se que sua vida útil é de aproximadamente 8 anos.

Lâmpada Noturna: Uma solução mais completa para as residências, ilumina tanto durante o dia quanto durante a noite. Para isso, utiliza a energia solar onde uma placa fotovoltaica carrega uma bateria que pode armazenar cerca de 32 horas de energia, acendendo as pequenas lâmpadas de LED acopladas dentro da garrafa. 

Poste e lampião.

Poste: Com tecnologia similar a lâmpada noturna, esta solução tem como objetivo a iluminação de áreas públicas. A lâmpada inserida na garrafa recebe energia de uma bateria estacionária de 12 volts que é abastecida pela energia solar captada pela placa fotovoltaica ao longo do dia. A solução composta por canos PVC, garrafas pet, painel solar, baterias e lâmpadas LED, os postes funcionam por no mínimo 20 anos e contam ainda com um sensor que mantém a lâmpada ligada por toda a noite, visando trazer maior conforto, sociabilidade, lazer e segurança para as comunidades.

Lampião: A mais nova solução da Litro de Luz, que apresenta uma solução móvel, tem como função iluminar os ambientes internos e externos, e diferente dos lampiões convencionais que utilizam fontes de energia fósseis e que poluem o meio ambiente, esta solução utiliza a energia solar, fonte renovável e limpa, garantindo o mesmo desempenho, sem poluir o meio ambiente. 

A ONG já premiada internacionalmente, com o World Habitat Awards 2015, da ONU, é o prêmio NOBEL de Energia Sustentável, o Zayed Energy Prize, recebeu o Prêmio St Andrews Prize For The Environment, da Universidade St Andrews na Escócia, e utilizará o valor recebido, cerca de US$ 100 mil dólares, para financiar soluções ecológicas e de combate a falta de iluminação em áreas que não possuem acesso à rede elétrica na Amazônia.

Segundo um levantamento da Agencia Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, o Brasil possui mais de um milhão de casas sem acesso à energia, entre as comunidades no norte do país, a região onde há maior dificuldade de acesso à energia, 715 famílias não possuem energia elétrica. 

A comunidade de Dominguinhos, na Amazônia, selecionada pela ONG para participar do projeto, não tem  rede de distribuição de energia elétrica, é atendida somente por um gerador que funciona por um curto período, entre 18h e 21h, e que dependem do fornecimento do diesel da prefeitura de Caapiranga. Porém, este combustível só atende a metade do mês, na outra, a comunidade fica no escuro.

O primeiro contato da Litro de Luz com as comunidades ribeirinhas da Amazônia aconteceu nos dias 3 a 7 de setembro de 2016, na comunidade de Dominguinhos, em Caapiranga, quando foram instalados 20 postes e 10 lampiões, impactando cerca de 400 moradores.

Já a segunda ação em Caapiranga, aconteceu nos dias 10 a 18 de março deste ano, e teve como objetivo iluminar mais 7 comunidades ribeirinhas da cidade, com uma instalação de 19 postes e 129 lampiões, impactando mais 800 moradores da região.

A cada poste instalado, são 250 quilos de CO2 que deixam de ir à atmosfera por ano, e segundo o presidente do movimento no Brasil, a intenção é de que durante os próximos três anos o projeto se dissemine e ajude a iluminar as comunidades ribeirinhas da Amazônia.